Imóvel poderá ser garantia de novo empréstimo

FOLHA DE S.PAULO – 24/06/2020  Larissa Garcia
 
BC quer liberar parte
de financiamento de imóvel
já paga para novo empréstimo
 
Consumidor poderá usar saldo já quitado de crédito imobiliário para pedir outro com mesmo valor e mesma taxa    
 
O Banco Central anunciou, nesta terça-feira (23), que pretende aprovar medida que libera o uso de imóvel já financiado como garantia para um novo empréstimo com as mesmas condições contratadas anteriormente.
A medida foi anunciada junto com novo pacote de enfrentamento à crise gerada pelo novo coronavírus e tem potencial de liberação de R$ 60 bilhões em créditos novos.
Na prática, o consumidor que contratou crédito para compra da casa própria poderá usar o saldo já quitado para pedir outro empréstimo com o mesmo valor e mesma taxa pactuada em contrato.
Se o tomador tem um financiamento imobiliário de R$ 500 mil a 8% ao ano, por exemplo, e já pagou R$ 200 mil, ele poderá pedir esse valor em novo empréstimo com essa mesma taxa.
O tomador pode pegar mais de um empréstimo com o saldo restante e poderá utilizar como bem entender.
"Como o mercado de crédito imobiliário no Brasil não é tão alavancado, acreditamos que a medida é adequada", explicou Campos Neto.
A iniciativa será enviada por meio de Medida Provisória (MP). "A gente espera que seja feita ainda nesta semana", disse o presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Em caso de inadimplência de uma das operações garantidas pelo mesmo imóvel, as demais vencem antecipadamente.
“Na prática, se a família precisa de crédito naquele momento e buscar na instituição financeira, ela conseguirá um empréstimo muito mais caro. Então, com a iniciativa, ela poderá ter acesso a uma linha mais barata”, pontuou o presidente do BC.
Segundo o diretor de Fiscalização da autarquia, Paulo Souza, a ação não aumenta o nível de endividamento das famílias. “Como o empréstimo seria tomado nas mesmas condições, o cliente vai voltar a ter comprometimento que ela já mostrou que será capaz de suportar”, argumentou.
Apenas operações com as parcelas em dia e que tenha folga entre valor do empréstimo e de avaliação do imóvel farão parte da medida.
 
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