Francisco Grácio, CEO e fundador da PortugalRur, será um dos destaques do painel Conexão Brasil‑Portugal, que acontece na manhã de sexta‑feira, 20 de março de 2026, durante o segundo dia de programação de conteúdo do 100º Encontro da ABMI, no Vidam Hotel, em Aracaju. No emblemático evento – que terá como associada anfitriã a Cohab Premium, representante da ABMI em Sergipe –, Grácio representa não apenas uma empresa, mas um movimento de valorização do interior de Portugal que ganhou força, escala e reconhecimento internacional.

À frente da PortugalRur desde 2000, empresa sediada em Proença‑a‑Nova e hoje referência nacional na mediação de imóveis rurais, Francisco Grácio construiu uma trajetória marcada por visão estratégica e profundo compromisso com o território. Como ele próprio afirma, a empresa nasceu da convicção de que “o interior de Portugal tinha, e continua a ter, um valor extraordinário que durante muitos anos não foi devidamente reconhecido pelo mercado”.

Essa leitura pioneira permitiu que a PortugalRur se tornasse uma ponte entre quem busca qualidade de vida no campo e as regiões rurais portuguesas, contribuindo para fixar famílias, dinamizar economias locais e preservar patrimónios culturais e ambientais.

Ao longo de mais de duas décadas, Grácio liderou a expansão da empresa com foco na especialização e na credibilidade. Ele recorda que “não fazia sentido tratar uma propriedade rural como se fosse um apartamento urbano”, reforçando a importância de conhecimento técnico, sensibilidade territorial e acompanhamento próximo. Essa abordagem consolidou a PortugalRur como referência num mercado que hoje vive um momento de transformação, impulsionado por investidores internacionais, projetos agrícolas sustentáveis e novas formas de turismo ligadas à autenticidade e à natureza.

O painel Conexão Brasil‑Portugal é um dos frutos da Missão Beiras, promovida em outubro passado, que aproximou empresários brasileiros do interior português. Para Francisco Grácio, cuja empresa esteve no roteiro daquela missão empresarial realizada pela ABMI em parceria com a Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil (FCPCB), a experiência foi decisiva para mostrar que “o interior é uma região dinâmica, segura e com múltiplas possibilidades de investimento”, abrindo portas para cooperações estratégicas entre os dois países.

Com uma visão que combina tradição, inovação e desenvolvimento sustentável, Grácio participa do 100º Encontro da ABMI como uma das vozes mais qualificadas para discutir oportunidades no mercado rural português e novas sinergias entre Brasil e Portugal, especialmente num momento em que, como ele destaca, “o interior deixou de ser visto como periferia e passou a ser o novo centro de oportunidades imobiliárias”.

A seguir a íntegra da entrevista de Francisco Grácio concedida ao site da ABMI.

O que motivou a criação da PortugalRur e como a empresa evoluiu ao longo destes 25 anos, consolidando-se como referência no mercado de imóveis rurais em Portugal?

A PortugalRur nasceu de uma convicção simples, mas muito clara: o interior de Portugal tinha – e continua a ter – um valor extraordinário que durante décadas não foi devidamente reconhecido pelo mercado. Quando iniciei este projeto, em 2000, percebi que possuíamos um património rural riquíssimo – quintas, herdades, casas de campo, propriedades com história e identidade – que exigia uma mediação especializada, profundamente conhecedora do território e verdadeiramente comprometida com a sua valorização. Não fazia sentido tratar uma propriedade rural como se fosse um apartamento urbano. São realidades distintas, com dinâmicas próprias, enquadramentos legais específicos e potencial agrícola, turístico ou patrimonial que requerem conhecimento aprofundado. Começámos como uma empresa familiar, com atuação muito focada na região Centro, mas sempre com visão nacional. Crescemos de forma sustentada, consolidando processos, qualificando a equipe e, sobretudo, construindo confiança. Hoje, com centenas de negócios realizados e um portfólio que ronda os 655 milhões de euros, sentimos que a visão inicial não só fazia sentido como se revelou acertada. Mais do que números, o que nos consolidou como referência foi o posicionamento. A PortugalRur especializou-se verdadeiramente no mercado rural. Temos uma equipe que conhece o território, acompanha os ciclos agrícolas, turísticos e florestais, entende o mercado imobiliário e as políticas públicas, e identifica oportunidades com segurança e critério. O interior deixou de ser visto como periferia. Tornou-se destino de quem procura qualidade de vida e, também, de investidores que reconhecem ali o novo centro de oportunidades imobiliárias em Portugal. Crescemos acompanhando essa transformação, sem seguir modas, mas mantendo identidade e consistência. Acredito que a nossa consolidação assenta em três pilares: especialização, credibilidade e relações humanas. Nunca quisemos ser apenas mais uma imobiliária; quisemos ser a referência no imobiliário rural em Portugal. E é esse compromisso que mantemos diariamente.

Quais são hoje as principais tendências e oportunidades no mercado rural português, especialmente para investidores internacionais, e como a PortugalRur tem se posicionado diante desse cenário?

O mercado rural português vive um momento de transformação muito interessante. Investidores nacionais e estrangeiros percebem cada vez mais que o interior não é apenas um lugar para viver ou trabalhar, mas um território de oportunidades reais, com propriedades que combinam história, autenticidade e rentabilidade. Hoje, observamos três tendências muito claras. De início procura por quintas e herdades com potencial turístico. Investidores querem criar experiências únicas ligadas ao turismo rural, gastronomia e autenticidade local. Exemplos: o Hotel Torre de Palma ou o turismo rural Casa Nossa, do chef José Avillez, mostram como projetos que combinam agricultura biológica, alojamento e preservação arquitetônica valorizam não só a propriedade, mas toda a região. Em segundo lugar vem o interesse crescente em propriedades agrícolas ou florestais. Vinhas, olivais, montados e projetos sustentáveis têm atraído, sobretudo, investidores internacionais, que valorizam retorno económico aliado ao contributo para a economia local e para o desenvolvimento sustentável. Por fim, procura por refúgios privados e casas de campo.  Muitos procuram qualidade de vida, privacidade e proximidade a cidades com boa acessibilidade. O interior surge como alternativa ao ritmo acelerado dos grandes centros urbanos. A PortugalRur tem-se posicionado de forma ativa neste contexto. Trabalhamos com arquitetos, consultores e equipes jurídicas para garantir que cada investimento é sustentável, seguro e diferenciador. Acompanhamos de perto investidores internacionais, ajudando-os a encontrar imóveis que combinam tradição, autenticidade e potencial de valorização. O nosso papel vai além da mediação. Queremos que cada imóvel continue a ser um espaço vivo, contribuindo para a economia local, para a preservação do património e para a qualidade de vida das pessoas.

Que perfil de comprador mais procura a PortugalRur e o que esses clientes buscam ao investir no interior de Portugal?

O perfil dos nossos clientes é variado, mas todos partilham um objetivo comum: encontrar propriedades que ofereçam espaço, autenticidade e oportunidade de viver ou investir no interior de Portugal. Atendemos Investidores agrícolas, que procuram herdades com grandes áreas, muitas vezes com regadio {em Portugal terras, terrenos ou culturas que dispõem de sistemas de irrigação artificial}, ideais para vinhas, olivais ou outras culturas com retorno económico consistente. Atendemos empreendedores turísticos, interessados em propriedades com potencial para alojamento rural, experiências gastronómicas ou projetos ligados à natureza e cultura local. Por fim, atendemos famílias e particulares, que procuram casas de campo ou terrenos amplos para viver, passar temporadas ou simplesmente desfrutar da tranquilidade do interior. Em todos os casos, o que faz diferença é a assessoria especializada. Na PortugalRur, não vendemos apenas imóveis, conectamos pessoas aos seus projetos e sonhos. Cada propriedade é uma história viva, e o nosso papel é garantir que o próximo capítulo seja tão valioso quanto o anterior.

Como avalia a experiência da Missão Beiras promovida pela ABMI e que impacto ela trouxe para a PortugalRur, para o mercado rural português e para a aproximação com empresários brasileiros?

Participar na Missão Beiras e receber a comitiva em Proença-a-Nova, a nossa casa, foi extremamente positivo e inspirador. Tivemos a oportunidade de mostrar, na prática, o potencial do interior de Portugal e o que o nosso país tem de mais autêntico, criando relações, estreitando parcerias e apresentando o nosso portfólio de forma direta e transparente. Explicar processos, mostrar propriedades e partilhar histórias ajudou os empresários a compreender o verdadeiro valor do interior português, que vai muito além de números ou mapas. O evento reforçou a visibilidade do mercado rural português. Os participantes puderam conhecer diferentes propriedades e perceber que o interior é uma região dinâmica, segura e repleta de oportunidades. Mais do que apresentar imóveis, a Missão Beiras criou um canal direto de confiança e diálogo, essencial para futuros negócios. Permitiu transmitir a nossa visão: cada propriedade é uma história viva, e investir no interior é também investir num estilo de vida, numa paisagem e numa cultura únicas.

Quais oportunidades de cooperação entre Brasil e Portugal o senhor considera mais promissoras após a Missão Beiras e no contexto do 100º Encontro da ABMI, especialmente para fortalecer negócios no interior de Portugal?

A cooperação entre Brasil e Portugal é extremamente promissora, sobretudo em investimentos que combinem retorno económico com desenvolvimento estruturado e sustentável do interior. Vejo oportunidades muito concretas inicialmente em projetos agrícolas e produtivos. Portugal oferece território, estabilidade e recursos. Muitos investidores brasileiros trazem experiência empresarial e capacidade de gestão. Essa combinação pode gerar projetos sólidos e de grande impacto. Em segundo lugar, vejo oportunidades na reabilitação de património com vocação turística ou mista. Com projetos bem estruturados, é possível criar valor económico, cultural e social, preservando a identidade das regiões. Estes investimentos têm efeito multiplicador: dinamizam a economia local, criam emprego qualificado, estimulam serviços complementares e contribuem para fixar pessoas no território. A cooperação passa pela partilha de conhecimento, assessoria técnica e enquadramento jurídico adequado. A PortugalRur tem procurado assumir esse papel de ponte, identificando oportunidades sólidas, apresentando o território com transparência e acompanhando investidores em todo o processo. Acredito que o futuro da cooperação Brasil-Portugal no interior se constrói com projetos bem pensados, com escala, impacto real e respeito pelo território. Investimentos que não sejam apenas negócios, mas motores de desenvolvimento.

Aberto para jornalistas credenciados

Com o mote “Conexão que fortalece, cultura que sustenta”, a programação do 100º Encontro da ABMI trará conteúdos estratégicos, homenagens, apresentações institucionais e painéis com nomes de destaque nacional, além da participação ativa de representantes das imobiliárias associadas, reforçando o espírito colaborativo que caracteriza a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário.

Restrito a dirigentes e colaboradores das associadas e a personalidades especialmente convidadas, o evento é aberto a jornalistas em sua parte de conteúdo, desde que se credenciem pelo e-mail imprensa@abmi.org.br . Devidamente credenciados, eles podem entrevistar as atrações do evento nos intervalos entre as apresentações.

Confira tudo o que vai rolar no 100º Encontro da ABMI.

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