Miguel Aguiar, fundador da Zome, a maior rede imobiliária 100% portuguesa, com mais de 2.500 consultores, cerca de 60 agências e a maior operação imobiliária da Europa em número de consultores num único escritório, será um dos destaques do painel Conexão Brasil-Portugal, que integra a programação de conteúdo do 100º Encontro da ABMI, evento acontece de 18 a 21 de março de 2026, em Aracaju (SE), tendo a associada local Cohab Premium como anfitriã.

Com mais de duas décadas de experiência no setor imobiliário, especialista em cultura organizacional, expansão de redes, desenvolvimento de equipes de alta performance e modelos de remuneração escaláveis, Miguel Aguiar também é vice-presidente da Associação dos Mediadores Imobiliários de Portugal e referência na construção de operações de grande dimensão com foco em pessoas, performance e rentabilidade.

A participação de Miguel no painel é um dos frutos dos aprendizados e conexões estabelecidos durante a missão empresarial “Beiras: O novo Portugal imobiliário, história e gastronomia 2025”, realizada em outubro do ano passado, como resultado de uma colaboração estratégica entre a ABMI e a Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil (FCPCB), que levou empresários brasileiros a explorar regiões portuguesas centrais e fora dos grandes centros, revelando oportunidades de investimento ainda pouco exploradas.

Foi a partir dessa aproximação que se estruturou um debate aprofundado sobre integração entre os dois mercados e sobre como Portugal e Brasil podem acelerar negócios imobiliários de forma conjunta.

Ao analisar o potencial para empresários brasileiros, Miguel afirma que “nos grandes centros urbanos de Portugal, como Lisboa e Porto, o empresário brasileiro encontra liquidez, previsibilidade e escala”, destacando que são mercados maduros, com forte presença internacional e tíquete médio elevado. Em contraste, ele observa que, nas regiões emergentes visitadas pela Missão Beiras 2025, “há menor concorrência estruturada e maior potencial de valorização”, o que abre espaço para quem deseja construir presença e desenvolver parcerias locais. Para ele, a escolha do mercado ideal depende do perfil do investidor: “Quem busca estabilidade tende a se beneficiar de Lisboa e Porto; quem tem perfil mais empreendedor encontra nas regiões emergentes a chance de entrar antes da consolidação.”

Sobre o modelo de crescimento da Zome, Aguiar explica que a força da marca está no fato de que ela “não é apenas uma rede imobiliária, mas uma plataforma de empreendedores”. Ele destaca que vários elementos são replicáveis no Brasil, como o consultor atuar como empresário dentro da marca, a meritocracia real e uma cultura forte e aspiracional,, mas reforça que o modelo não pode ser copiado integralmente: “O modelo Zome é exportável, mas precisa ser tropicalizado. Se tentarmos replicar Portugal no Brasil, falha. Se respeitarmos a cultura brasileira e aplicarmos disciplina portuguesa, pode ser explosivo.”

Ao falar sobre liderança em operações de grande escala, Miguel resume sua filosofia em quatro pilares: “Cultura forte e repetida todos os dias; modelo financeiro claro e justo; liderança presente; e formação contínua em mindset e performance.” Para ele, a cultura é o elemento que sustenta tudo: “Escala sem cultura vira caos; escala com cultura vira potência.”

Comparando os dois mercados, Aguiar observa diferenças estruturais marcantes. “Portugal é mais regulamentado e tem maior profissionalização média; o Brasil é gigante, mais informal e mais volátil.” Mas vê nisso uma oportunidade de complementaridade: “O Brasil ensina velocidade. Portugal ensina estrutura. Se juntarmos os dois, criamos redes muito mais competitivas.”

Por fim, ao projetar os próximos passos da cooperação entre ABMI, FCPCB e empresas portuguesas como a Zome, Miguel é direto: “Os próximos passos passam por transformar a cooperação institucional em negócio concreto.” Entre as ações prioritárias, ele cita a criação de um canal permanente Portugal–Brasil dentro das entidades, um programa de referências estruturado, missões comerciais focadas em investimento imobiliário com produtos e números claros e uma base de dados conjunta de investidores. Para ele, o essencial é garantir “estrutura comercial e acompanhamento real até fechar negócio”.

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista da entrevista com o empresário português do mercado imobiliário, Miguel Aguiar.

A Zome atua com grande presença nos principais centros urbanos de Portugal, como Lisboa, Porto e outras regiões altamente competitivas, e também esteve no roteiro da Missão Beiras 2025, que revelou oportunidades fora dos grandes polos. Como o senhor compara o potencial de negócios para empresários brasileiros entre esses mercados mais consolidados e as regiões emergentes, e onde enxerga as melhores portas de entrada para parcerias e investimentos?

Nos grandes centros urbanos de Portugal, como Lisboa e Porto, o empresário brasileiro encontra liquidez, previsibilidade e escala. São mercados maduros, com forte presença internacional, tíquete médio elevado e um fluxo constante de compradores e investidores, o que garante segurança e velocidade nas transações, embora as margens sejam mais comprimidas devido ao alto nível de competição. Já nas regiões emergentes, como as visitadas na Missão Beiras 2025, o cenário é distinto: há menor concorrência estruturada, mais espaço para atuação estratégica e um potencial de valorização mais elevado no médio e longo prazo, criando oportunidades para quem deseja construir presença e desenvolver parcerias locais. Assim, a melhor porta de entrada depende do perfil do empresário brasileiro. Quem busca estabilidade e menor risco tende a se beneficiar de Lisboa e Porto, com ativos prontos e rendimento previsível. Já quem tem perfil mais empreendedor ou orientado à valorização encontra nas regiões emergentes a chance de entrar antes da consolidação e participar ativamente do desenvolvimento econômico local.

A Zome tornou-se a maior rede imobiliária 100% portuguesa e um case de expansão acelerada. Quais elementos desse modelo de crescimento são replicáveis no Brasil e quais exigiriam adaptações culturais, regulatórias ou operacionais?

O modelo Zome cresceu rapidamente porque não se posiciona apenas como uma rede imobiliária, mas como uma verdadeira plataforma de empreendedores. No Brasil, vários elementos desse modelo são plenamente replicáveis, especialmente a lógica centrada no consultor como empreendedor, em que ele atua não como funcionário, mas como empresário dentro da marca. Algo que se adapta bem à cultura brasileira, marcada por ambição e orientação a resultados. A meritocracia também é totalmente aplicável, já que a remuneração proporcional à performance, sem tetos artificiais, funciona em qualquer mercado. Soma-se a isso uma cultura forte, com identidade clara, marca moderna e discurso aspiracional, aspectos muito valorizados no Brasil, além de uma estrutura leve e escalável, que permite crescimento rápido sem aumento excessivo de custos fixos. Por outro lado, alguns pontos exigem adaptação ao contexto brasileiro. A regulação e as práticas de mercado são diferentes, especialmente no que diz respeito ao papel do Creci, aos contratos de exclusividade e às regras de partilha, o que demanda ajustes ao modelo original. A cultura comercial brasileira também é mais intensa e agressiva, exigindo uma liderança mais presente, inspiradora e próxima das equipas. Além disso, o Brasil tem uma tradição mais forte de trabalho em equipe do que de consultores totalmente independentes, o que indica a necessidade de um modelo híbrido. Por fim, a velocidade de execução no país é alta, mas acompanhada de volatilidade, o que torna indispensável um controle financeiro mais rigoroso. No conjunto, o modelo Zome é exportável, mas não pode ser simplesmente copiado. Ele precisa ser “tropicalizado”. Replicar Portugal no Brasil tende a falhar; porém, combinar o respeito à cultura brasileira com a disciplina e a estrutura portuguesa pode gerar um resultado extremamente poderoso.

Liderar a maior agência imobiliária da Europa, com mais de 300 consultores num único escritório, exige práticas sólidas de gestão e cultura. Que pilares o senhor considera indispensáveis para manter performance, engajamento e rentabilidade em operações de grande escala?

A liderança de mais de 300 consultores se sustenta em quatro pilares essenciais. O primeiro é uma cultura forte, vivida e reforçada todos os dias; sem cultura, a escala se perde. O segundo é um modelo financeiro claro e justo, no qual o consultor entende que pode construir riqueza dentro da organização. O terceiro pilar é uma liderança verdadeiramente presente, que não se limita a gerir por indicadores, mas atua com proximidade, presença e influência direta no desenvolvimento das pessoas. O quarto é a formação contínua, tanto em mindset quanto em performance, porque o imobiliário é, antes de tudo, um jogo emocional que exige preparo constante. No fim, a lógica é simples: escala sem cultura vira caos; escala com cultura se transforma em potência.

Os modelos de remuneração e de desenvolvimento de equipes variam bastante entre Portugal e Brasil. Que diferenças estruturais o senhor observa entre os dois mercados e que aprendizados poderiam ser trocados para tornar as redes mais competitivas?

As diferenças entre Portugal e Brasil nos modelos de remuneração e no desenvolvimento de equipas refletem estruturas de mercado bastante distintas. Portugal opera em um ambiente mais regulamentado, com um mercado menor e um nível médio de profissionalização mais elevado, o que cria processos mais estáveis e previsíveis. Já o Brasil funciona em um mercado gigantesco, marcado por maior informalidade e maior volatilidade, o que exige rapidez de adaptação e uma abordagem comercial mais intensa. Dessa comparação surgem aprendizados valiosos. O Brasil ensina velocidade, flexibilidade e capacidade de execução em cenários dinâmicos, enquanto Portugal ensina estrutura, disciplina e consistência operacional. Quando esses dois mundos se encontram, combinando a agilidade brasileira com a organização portuguesa, as redes imobiliárias tornam-se significativamente mais competitivas e preparadas para crescer de forma sustentável.

A Missão Beiras 2025 reforçou a importância da cooperação entre ABMI, Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil (FCPCB) e empresas portuguesas como a Zome. Quais seriam, na sua visão, os próximos passos para aprofundar a conexão de negócios entre empresários dos dois países no setor imobiliário?

Os próximos passos passam por transformar a cooperação institucional em negócio concreto. Isso inclui criar um canal permanente Portugal–Brasil dentro da ABMI e da Zome, por exemplo, com uma equipe dedicada a atender investidores dos dois países, além de implementar um programa de referências entre as duas organizações para facilitar a circulação de oportunidades. Também é importante organizar missões comerciais focadas especificamente em investimento imobiliário, apresentando produtos e números claros, e criar uma base de dados conjunta de investidores interessados em atuar nos dois mercados. A partir daí, o essencial é garantir estrutura comercial e acompanhamento real até o fechamento dos negócios, para que a cooperação se converta em resultados efetivos.

Aberto para jornalistas credenciados

Com o mote “Conexão que fortalece, cultura que sustenta”, a programação do 100º Encontro da ABMI trará conteúdos estratégicos, homenagens, apresentações institucionais e painéis com nomes de destaque nacional, além da participação ativa de representantes das imobiliárias associadas, reforçando o espírito colaborativo que caracteriza a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário.

Restrito a dirigentes e colaboradores das associadas e a personalidades especialmente convidadas, o evento é aberto a jornalistas em sua parte de conteúdo, desde que se credenciem pelo e-mail imprensa@abmi.org.br . Devidamente credenciados, eles podem entrevistar as atrações do evento nos intervalos entre as apresentações.

Comentários (1)

  1. adriana Magalhães
    6 de março de 2026

    Estivemos presencialmente visitando a Zone em Portugal e ficamos extremamente impactados com os diferencias e excelência empresarial! 👏👏👏

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