A trajetória de Monica Poplawski, marcada por reinvenção, autenticidade e domínio absoluto da comunicação, explica por que seu nome se tornou uma das principais referências do mercado imobiliário de alto padrão no Brasil.

Detentora do bordão que virou marca registrada – “Bem-vindos ao luxo” –, ela transformou vídeos de apresentação de imóveis em experiências de desejo, unindo carisma, técnica e uma leitura precisa do comportamento do consumidor de luxo.

Com 11 anos de experiência como telemoça nos programas de Silvio Santos e Gugu, Monica aprendeu a dominar as câmeras com naturalidade e emoção. Aos 50 anos, decidiu recomeçar no setor imobiliário e mostrou que coragem, consistência e propósito podem redefinir carreiras, como ela mesma resume: “eu comecei sem plano B. As coisas tinham que dar certo”.

Monica será uma das atrações da programação de conteúdo do 100º Encontro da ABMI, que acontece nos dias 19 e 20 de março de 2026, no Vidam Hotel, em Aracaju, Sergipe, tendo com associada anfitriã a Cohab Premium.

Ela encerra o segundo dia de conteúdo, 20/03, levando ao evento princípios que defende com firmeza, temas que dialogam diretamente com os desafios e transformações atuais do setor, que podem ser resumidos em alguns de seus comentários na entrevista que concedeu ao site da ABMI: “o principal ponto é conhecer o imóvel”, “não dá para pular degraus no alto padrão” e “o mercado precisa ser mais educado”.

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista com Monica Poplawski.

Sua trajetória no mercado imobiliário começou aos 50 anos, após mais de uma década diante das câmeras na TV. Como essa virada de carreira moldou sua visão de posicionamento profissional e influenciou a forma como você se comunica no alto padrão?

Quando comecei na corretagem aos cinquenta anos, eu comecei sem ter plano B, as coisas tinham que dar certo. E comecei fazendo aluguel de oitocentos reais, um aluguel bem baixinho. Aos poucos, fui subindo o tíquete. Então, a minha postura, o meu posicionamento, tudo foi evoluindo de acordo com o nível dos imóveis que eu também ia alcançando. Não foi uma virada de chave brusca. Ela aconteceu aos poucos. A mudança de carreira foi brusca, sim, mas, dentro da corretagem, fui subindo degrau por degrau até chegar no alto padrão. Não teve um momento único de virada, foi uma mudança contínua. Agora, muita coisa eu trago da televisão. A facilidade com as câmeras, com os vídeos. Acho que aprendi sem querer tudo lá atrás, quando trabalhava com o Silvio Santos e com o Gugu, e hoje uso tudo isso na corretagem, sem dúvida.

O bordão “Bem-vindos ao luxo” se tornou uma marca registrada e um diferencial competitivo. Como nasce um posicionamento autêntico e, sobretudo, sustentável em um mercado tão competitivo quanto o de imóveis de alto valor?

Eu tentei durante muito tempo criar um bordão para mim, ter alguma coisa diferenciada para colocar nos meus vídeos do YouTube, e a gente não conseguia de jeito nenhum criar algo legal. Aí, sem querer, quando fui gravar uma casa de cento e dez milhões, parei na frente dela e falei do nada: “Bem-vindos ao luxo”. A minha equipe de produção colocou uma música – a mesma que usamos até hoje – e aquilo deu um link muito bom. Funcionou e pegou de um jeito que não conseguimos mais viver sem. O “Bem-vindos ao luxo” virou minha marca registrada, sim, mas não teve estratégia para criar o bordão. Ele simplesmente aconteceu, em frente a uma casa linda.

Você transformou vídeos de apresentação de imóveis em experiências de desejo. Quais elementos estratégicos, técnicos ou emocionais,  fazem um conteúdo realmente vender no mercado de luxo silencioso?

Fazer vídeos que geram desejo é bem difícil, porque você precisa despertar o interesse de alguém que já tem uma casa de milhões e fazê-la desejar algo que nem sabia que precisava. Ela vai ver o vídeo, gostar do que vê e querer ter aquilo. Por isso, o corretor precisa conhecer completamente a casa que vai gravar, do começo ao fim. Tem que saber sobre a localização dentro do condomínio, sobre o condomínio em si e sobre tudo o que a casa oferece. Isso precisa estar na ponta da língua. Assim, o vídeo não fica preso a “aqui é a sala, aqui é o banheiro”, mas mostra o que existe além: o que se vê pela janela, uma parede que pode abrir ou fechar, um ambiente que pode ser ampliado. Precisamos  mostrar no vídeo aquilo que a pessoa não veria apenas assistindo. É organizar o vídeo para quem está do outro lado.

O mercado de alto padrão exige domínio de linguagem, estética e comportamento. Quais são, na sua visão, os principais erros de comunicação que ainda afastam corretores e imobiliárias desse segmento?

Na minha opinião, muitos corretores entram no mercado já querendo trabalhar no alto padrão, e isso não dá certo. Você precisa começar por uma locação mais baixa, por uma venda mais baixa, ir aprendendo sobre o mercado, fazer uma imersão no luxo e só depois ter repertório para conversar com um cliente desse nível. Não dá para aprender de uma hora para outra. O principal erro é querer pular fases. Aí o corretor não sabe se vestir de acordo, não sabe conversar com o cliente, não frequenta os mesmos lugares, não tem repertório e, muitas vezes, não conhece o imóvel. É um degrau por vez para chegar ao alto padrão. Não é fácil.

Você trabalha com clientes de grande visibilidade, como artistas e influenciadores. O que esses cases revelam sobre as novas expectativas do consumidor de luxo e sobre como as marcas imobiliárias precisam se posicionar?

Já vendi para muitos influencers e, também, para muitos executivos, gente totalmente low profile, que trabalha no mercado de luxo silencioso. São públicos completamente diferentes comprando casas do mesmo valor. O influencer quer uma casa que todo mundo já viu, que todo mundo comente que ele comprou. Ele faz vídeos antes mesmo de comprar. Já o executivo quer uma casa que ninguém viu, de preferência que nem esteja no mercado. Ele compra sem fazer alvoroço nenhum. Esse executivo valoriza um mármore de qualidade, um móvel assinado, acabamentos impecáveis. O influencer, não: ele quer uma casa instagramável. Pouco importa quanto custou. Ele  quer algo que funcione bem no vídeo, porque é isso que ele precisa para vender a própria imagem.

A inteligência comercial sempre esteve presente no seu conteúdo. Como corretores e líderes podem equilibrar estratégia, autenticidade e método para construir autoridade digital sem perder a essência?

O principal ponto é conhecer o imóvel. Eu sempre bato nessa tecla. Precisamos da ajuda dos arquitetos para oferecer um descritivo completo, para que o corretor possa estudar e, na hora de mostrar a casa, saber tudo sobre ela, inclusive responder perguntas que nem estão no descritivo. Isso só a prática dá.As imobiliárias, hoje, estudam pouco as casas. Visitam uma vez e pronto. Não sabem se tem fotovoltaica, cisterna, automação, que tipo de automação é. Estudam por cima. E o comprador de alto padrão quer saber exatamente o que está comprando.Às vezes, o corretor não sabe onde nasce o sol, onde tem o pôr do sol, que mata existe no fundo, se é preservada ou não, se pode virar condomínio. Não sabe o valor do condomínio, do IPTU, a metragem de frente, fundo, lateral. Vão lá abrir a porta e mostrar sala, cozinha, banheiro. Isso não funciona no alto padrão.

Recomeçar aos 50 anos se tornou parte central da sua narrativa. Que lições de coragem, consistência e propósito você acredita que o mercado imobiliário, especialmente em um momento de tantas transformações, precisa absorver agora?

Pois é. As pessoas valorizam muito eu ter recomeçado a vida aos cinquenta anos. Quando eu recomecei, a única coisa que não pensei foi na idade. Eu só queria que desse certo. Eu não tinha plano B. Hoje, as pessoas me reconhecem na rua e as menininhas falam: “Tia, eu quero ser corretora quando eu crescer”. E eu penso: puxa vida, a gente está mudando o mercado imobiliário. As crianças têm vontade de ser corretoras. Quem tinha essa vontade antes? O ponto de vista sobre a profissão já mudou muito. As pessoas tratam melhor os corretores, procuram corretores para fazer negócio. Mas ainda acho que o mercado precisa ser mais educado – proprietário, comprador, vendedor e corretor. Todo mundo. Em qualquer lugar do Brasil, você ouve as mesmas histórias: corretor passando a perna em corretor, proprietário vendendo direto, comprador cortando o profissional. É complicado. Não temos regras claras no mercado imobiliário. Se todo mundo educar o mercado e agir de forma mais ética, as coisas vão melhorar. Já melhoraram muito, e eu tenho certeza de que vão melhorar ainda mais.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *