Raquel Trevisan será uma das atrações do 103º Encontro da ABMI, evento virtual exclusivo para dirigentes e colaboradores das mais de 60 empresas associadas à Associação Brasileira do Mercado Imobiliário espalhadas por todas as regiões do país.
O encontro acontece na manhã de 15/10/26, próxima quinta-feira, a partir das 9h, ao vivo no YouTube da ABMI, reunindo especialistas para discutir tendências, desafios e transformações do setor.
Raquel apresentará a palestra “Quem não se comunica se trumbica (mesmo com IA)”, na qual promete abordar, com a clareza e a contundência que marcam sua trajetória, como a inteligência artificial está impactando a comunicação e o comportamento profissional no mercado imobiliário.
Com quase três décadas de atuação no mercado imobiliário, a palestrante é administradora, mestre em marketing, pós‑MBA em negociação, diretora de marketing, criadora do canal premiado “E agora, Raquel?”, cofundadora do SOMA — movimento dedicado ao protagonismo feminino no setor — e coautora de dois livros. Reconhecida por dois anos consecutivos como uma das pessoas mais influentes do mercado imobiliário, ela se tornou referência nacional em comunicação, comportamento profissional e posicionamento estratégico.
Na entrevista ao site da ABMI, antecipa temas centrais de sua apresentação. O uso consciente da inteligência artificial, a importância do repertório humano, a construção de autoridade em um ambiente digital acelerado e o papel da comunicação na ampliação da presença feminina nas lideranças do setor. Entre suas principais afirmações, destaca que “o que faz diferença na IA é o humano” e que ignorar o protagonismo das mulheres no mercado imobiliário é, além de injusto, “perder dinheiro”.
Confira a íntegra da entrevista de Raquel Trevisan ao site da ABMI.

Como a chegada da IA generativa está transformando a forma como profissionais do mercado imobiliário se comunicam com clientes e equipes, e quais erros você já percebe que estão sendo cometidos nesse processo?
Acredito que a IA é um caminho sem volta não só para o mercado imobiliário, mas para qualquer profissional. Ainda vejo muita fala e pouca ação em relação à IA de uma maneira geral. Todo mundo já entendeu que precisa se adaptar, virar usuário, mas ainda acho que tem muita ‘modinha’ na maioria dos casos. Muitas vezes não se sabe exatamente o que pode melhorar ou se acha que a IA vai resolver todos os problemas. Na verdade, ela te dá rapidez no processo, consegue fazer coisas muito mais rápidas do que um ser humano conseguiria, mas precisa receber comandos certos. Ao meu entender, nós, seres humanos, ainda não estamos tão preparados para usufruir tudo o que a IA proporciona. É um caminho sem volta, mas ainda temos muito aprendizado pela frente.
Você sempre defendeu que comunicação é comportamento. Na prática, quais competências humanas continuam sendo insubstituíveis, mesmo com o avanço acelerado das tecnologias de automação e inteligência artificial?
Sou uma defensora feroz disso, e quanto mais eu estudo, mais tenho certeza. Hoje, o que faz diferença na IA é o humano. Inclusive vou falar disso na palestra. Para uma inteligência artificial te dar todo o potencial que ela tem, ela precisa de comandos certos, e para ter comandos certos, o ser humano que está no comando precisa ter repertório. Tem que saber perguntar. Acho que esse é o grande desafio hoje, porque nós, como seres humanos, estamos pensando menos. É um exercício cada vez mais necessário: aprender a pensar, por mais contraditório que pareça com a facilidade da tecnologia. Quanto mais a gente aprender a pensar, mais a IA vai nos dar suporte. As competências humanas — criatividade, empatia, ética, poder de escolha e decisão — nenhuma máquina vai tirar de nós.
Com sua experiência como diretora de marketing e criadora de conteúdo, quais estratégias de comunicação têm se mostrado mais eficazes para construir autoridade e confiança em um setor tão competitivo quanto o imobiliário?
Quando falo de comunicação, não posso esquecer que nós somos pessoas vendendo e locando para outras pessoas. Por trás daquele celular, daquele computador, tem um ser humano. Não podemos perder nossa humanidade. Acho que esse é o grande desafio: não achar que a máquina vai resolver tudo. Em marketing, o grande caminho é o GEO, que é a evolução do SEO, que são estratégias para ter o orgânico trabalhando a nosso favor e o conteúdo sendo lido pelas IA’s. Para isso, o poder da marca é fundamental em tempos de inteligência artificial. Construção de marca é estratégia de longo prazo. Não é corrida de cem metros, é maratona. A IA e as redes sociais nos colocam em estado de urgência, mas precisamos pensar que estamos construindo nossa marca, da empresa e como profissionais. Isso leva tempo. São pequenas construções diárias e consistentes.
O SOMA tem impulsionado o protagonismo feminino no setor. De que forma a comunicação bem estruturada pode acelerar a presença de mulheres em posições de liderança e influenciar a cultura das empresas imobiliárias?
A participação das mulheres, independentemente do SOMA, é fundamental. O SOMA foi uma construção da qual tenho orgulho. Fui uma das fundadoras e conduzi o movimento por três anos. Ele foi essencial para trazer voz e visibilidade às mulheres nos palcos. Mas, dentro das empresas, ainda há muito distanciamento. As grandes lideranças — diretorias, presidências, conselhos — são homens. Existe uma dificuldade natural do homem em ter empatia e se colocar no lugar da mulher. O olhar feminino é diferente do masculino, mas não é melhor nem pior. No mundo corporativo e no mercado imobiliário, a maioria das empresas ainda é machista e não dá oportunidade. Precisamos trabalhar dobrado, mas não podemos deixar de nos posicionar e influenciar a cultura das empresas.