Pioneira em Wellness Design e Wellness Experience no Brasil, Tania Ginjas será uma das palestrantes do 103º Encontro da ABMI, evento virtual exclusivo para dirigentes e colaboradores das empresas associadas da entidade, que será realizado na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, a partir das 9h, com transmissão pelo YouTube.
Com mais de 25 anos de atuação no desenvolvimento de conceitos e experiências de bem-estar para os mercados imobiliário e de hospitalidade, Tania é reconhecida por trazer ao Brasil as principais tendências internacionais de wellness, integrando design, comportamento, saúde, performance, recuperação e qualidade de vida. Ela lidera projetos que se tornaram referências no setor.
Em sua palestra, intitulada “A nova experiência de morar: o real impacto do wellness na nova jornada de compra”, a especialista mostrará como o conceito de bem-estar deixou de ser um diferencial para se tornar um fator decisivo na percepção de valor dos empreendimentos e na decisão de compra dos consumidores.
Em entrevista ao site da ABMI, Tania afirma que o comprador atual busca muito mais do que metragem e infraestrutura, priorizando experiências capazes de melhorar sua rotina, reduzir deslocamentos, ampliar o conforto e promover qualidade de vida.
Confira a seguir a íntegra da entrevista.

Como o Wellness Design evoluiu e o que é indispensável hoje?
O Wellness Design deixou de ser entendido apenas como a criação de uma academia, uma piscina ou um spa e passou a representar uma visão mais integrada sobre como o ambiente pode favorecer a vida das pessoas. A discussão contemporânea reúne arquitetura, materiais, circuitos de selfcare, conforto e conveniência. Para mim, a palavra central é multifuncionalidade. O bem-estar se integrou às áreas de lazer porque precisa estar presente na experiência cotidiana, e não apenas em uma área específica do edifício. Hoje, os projetos mais consistentes são aqueles capazes de incorporar o wellness de maneira natural à rotina dos moradores.
Há impacto no comportamento do comprador e na percepção de valor?
Minha leitura é que a expectativa do residente evoluiu, e acompanhar essa evolução por meio de uma narrativa alinhada a uma infraestrutura adequada é o caminho natural para o setor imobiliário. O cliente ampliou seu olhar no momento da compra. A decisão deixa de se concentrar exclusivamente em metragem e quantidade de equipamentos para considerar como aquela residência pode efetivamente melhorar sua rotina. A pergunta deixa de ser apenas “o que o condomínio tem?” e passa a ser “o que eu consigo fazer aqui com mais segurança, conforto e economia de tempo?”. Poder se exercitar, descansar e conviver sem depender de tantos deslocamentos é uma proposta de valor extremamente relevante. Há evidências internacionais de desempenho comercial favorável em empreendimentos orientados pelo wellness, apontadas em estudos de caso publicados pelo Global Wellness Institute em 2025. No Brasil, cito o Primo Pinheiros, da AMY, e o Aeterna, da Global Health, ambos em São Paulo, como exemplos consolidados de projetos em que o Wellness Design elevou a atratividade, acelerou as vendas e contribuiu para a valorização do metro quadrado acima do planejado. Nesses empreendimentos, foi possível observar o wellness contribuindo de forma determinante para a preferência do comprador, aliado a uma localização privilegiada e a um projeto arquitetônico diferenciado; o reconhecimento, por parte do cliente, de benefícios concretos para sua rotina; e a melhora nos índices de conversão e na velocidade de vendas quando comparados a lançamentos similares.
Quais aprendizados dos projetos mais transformaram sua visão?
Eu organizaria esses aprendizados em três ideias: contexto, rotina e integração. Começaria pelo Seridó 106, lançado em 2009. O projeto apostou de maneira inédita em performance, vitalidade e bem-estar para um público de altíssimo padrão e comprovou, ao longo dos anos, a pertinência dessa visão por meio da valorização consistente do metro quadrado. O empreendimento reuniu uma das mais completas infraestruturas de fitness e áreas molhadas destinadas a um número reduzido de moradores, algo que hoje se tornou uma referência para projetos voltados ao segmento triple A. No W Residences Gramado, o principal aprendizado foi a importância de conectar o wellness à identidade do lugar. Paisagem, atmosfera, arquitetura e hospitalidade formaram uma narrativa única, potencializando as experiências de bem-estar escolhidas para o projeto. Já no Lindenberg Moema, o desafio esteve em traduzir o bem-estar para a vida residencial cotidiana, unindo elementos clássicos a experiências inovadoras. A proposta foi criar ambientes sofisticados, acessíveis às novas tecnologias e compatíveis com diferentes momentos da rotina. A curadoria sempre foi guiada por uma convicção: design, performance e qualidade de vida não devem ser tratados como disciplinas separadas. Precisam orientar conjuntamente as decisões de Wellness Design e os circuitos de selfcare. Também considero importante ampliar o significado de performance. Não se trata apenas de treinar mais ou alcançar melhores resultados físicos. Performance também é conseguir descansar, recuperar energia e viver com mais equilíbrio.
Quais são os desafios brasileiros e como acelerar a adoção?
Na minha avaliação, o maior desafio é transformar o Wellness Design em uma estratégia integrada e alinhada às novas expectativas dos moradores. Isso exige enfrentar quatro questões principais: incorporar o Wellness Design de forma integrada em toda a área comum; encontrar equilíbrio entre inovação e viabilidade econômica; criar circuitos capazes de sustentar a experiência após a entrega do empreendimento; e medir continuamente se a proposta está atingindo seus objetivos. Para acelerar essa mudança, vejo alguns caminhos importantes: integrar experiências indoor e outdoor; priorizar circuitos independentes que ofereçam liberdade de escolha e personalização; selecionar inovações de acordo com o perfil do público que irá habitar o empreendimento; e comunicar de forma simples, objetiva e clara os benefícios da qualidade de vida para a rotina contemporânea. Segundo minha visão, a consolidação do wellness no mercado imobiliário brasileiro passa justamente pela capacidade de transformar infraestrutura em experiência e bem-estar em valor percebido pelo cliente.
