A iluminação especial de um dos cartões postais mundialmente famosos da cidade do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, dia 1º de julho de 2026, das 20h às 22h, marcou a celebração dos 95 anos da APSA (Administração Predial e Negócios Imobiliários S/A), uma das empresas mais antigas em atividade no mercado imobiliário brasileiro e a mais longeva entre as associadas da ABMI, juntamente com a Auxiliadora Predial, de Porto Alegre (RS).

A homenagem, que conecta a trajetória da companhia a um dos maiores símbolos do país, reforça a relevância histórica da APSA na construção e transformação da vida urbana do país ao longo de quase um século.

Por duas horas, monumento ao Cristo Redentor exibiu cores da APSA, em homenagem aos seus 95 anos comemorados neste 1° de julho

Para o presidente da ABMI, Jorge Santos, o gesto traduz o papel da empresa na evolução do setor.

“A APSA é um exemplo de como tradição e inovação podem caminhar juntas. Celebrar seus 95 anos é reconhecer uma história que ajudou a moldar o mercado imobiliário brasileiro e que continua inspirando todas as empresas associadas á ABMI. O mesmo, evidentemente, podemos afirmar em relação à Auxiliadora Predial, nossa associada na capital gaúcha, que está também comemorando 95 anos de existência”, ressalta Santos.

A ação junto ao monumento ao Cristo Redentor, segundo seus idealizadores, simboliza a união entre duas trajetórias emblemáticas: a de uma empresa que cresceu acompanhando as transformações das cidades e a de um monumento que representa o Brasil para o mundo.

Ao escolher do monumento ao Cristo Redentor como palco da celebração, a APSA reforça seu compromisso com a vida urbana, com a inovação e com as comunidades que fazem parte de sua história, que segue sendo escrita diariamente por moradores, síndicos, colaboradores, parceiros e pela própria ABMI, que reúne também entre suas associadas a Auxiliadora Predial, de Porto Alegre (RS), empresa igualmente com 95 anos de existência.

Fernando Schneider, diretor superintendente da APSA: empresas longevas compartilham a capacidade de atravessar mudanças profundas sem perder sua essência

“Mais do que uma celebração, a ação reforça a importância de permanecer em movimento, acompanhando as mudanças no comportamento das pessoas, nas relações de convivência e nos desafios enfrentados pelas cidades”, destaca o texto institucional da APSA.

A escolha do monumento ao Cristo Redentor como palco da celebração reforça a relação da APSA com o Rio de Janeiro, cidade onde se consolidou e foi o ponto de partida para uma atuação nacional, que hoje abrange oito Estados.

A empresa nasceu em 1931 como filial da Auxiliadora Predial, que havia sido fundada em Porto Alegre por Charles Germano Luiz Voelcker, Pedro Bruno Dischinger, Friedrich Wilhelm Adam Schlander e Otto Heylmann.

Na época, o negócio era voltado ao financiamento de moradias por meio de um modelo trazido da Alemanha e considerado tão inovador que rapidamente se expandiu para outros Estados.

No Rio, a empresa cresceu administrando imóveis vagos e acompanhando o início da verticalização habitacional, o que deu origem ao modelo de administração condominial que mais tarde se tornaria sua principal atividade. Mesmo após enfrentar a invasão e destruição de documentos durante a Segunda Guerra Mundial, a APSA manteve sua operação graças à visão pioneira de Carlos Henrique Schneider, que convenceu os diretores a seguir investindo na cidade e enxergou a oportunidade de estruturar um negócio voltado à gestão condominial.

A partir das décadas de 1950 e 1960, a APSA consolidou-se como a maior administradora condominial do país, iniciando a segunda geração da família Schneider à frente da empresa e construindo uma trajetória que hoje já alcança a terceira geração.

Ingo Voelcker, CEO da Auxiliadora Predial, associada da ABMi em Porto Alegre (RS), que também comemora 95 anos: contagem regressiva para o 100º aniversário

Essa história de quase um século é marcada pela capacidade de adaptação, como destaca Fernando Schneider, diretor superintendente da APSA, em artigo escrito para celebrar os 95 anos.

“Toda empresa já foi uma startup um dia”, afirma. “Antes de ganhar escala, estrutura e processos, toda organização nasce pequena, incerta e obrigada a aprender rápido para sobreviver. A diferença é que poucas conseguem atravessar o tempo mantendo essa capacidade de adaptação.”

Para ele, chamar uma empresa de 95 anos de startup pode soar contraditório apenas na superfície, já que o termo, em seu uso contemporâneo, está mais ligado à mentalidade de resolver problemas reais, ajustar rotas com rapidez e evoluir continuamente. “No fim, talvez não haja nada mais ‘startup’ do que se manter competitivo em um mercado em constante transformação”, escreve.

O artigo também revisita o contexto histórico em que a APSA surgiu, lembrando que as cidades eram menos densas, os deslocamentos eram feitos por bondes e a vida urbana tinha outro ritmo. As moradias eram majoritariamente casas, e a ideia de viver em apartamentos ainda era restrita a poucos centros. A administração de imóveis acontecia de forma manual, com registros físicos e processos essencialmente presenciais.

Ao longo das décadas, o país atravessou transformações profundas – redemocratização, criação da Consolidação das Leis do Trabalho, planos econômicos, consolidação da pauta ambiental, crises e inflação – que impactaram diretamente o setor imobiliário.

Empresas longevas, segundo Fernando, compartilham uma característica central: a capacidade de atravessar mudanças profundas sem perder sua essência. “Em vez de estabilidade como ausência de mudança, o que se observa é estabilidade como capacidade de atravessar mudanças”, afirma.

A iluminação do monumento ao Cristo Redentor, portanto, não é apenas uma homenagem simbólica, mas um marco que sintetiza essa trajetória de resiliência, inovação e adaptação

A ação reforça ainda o vínculo da empresa com a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário, entidade que reúne algumas das mais tradicionais administradoras e imobiliárias do país, entre elas a própria Auxiliadora Predial, que segue sob comando da família Voelcker e que, igualmente, mantém presença destacada no mercado imobiliário nacional.

“Contagem regressiva para os 100 anos”

A Auxiliadora Predial, associada da ABMI em Porto Alegre (RS), celebra 95 anos de existência como uma das empresas mais longevas do mercado imobiliário brasileiro, posição que divide com a APSA, do Rio de Janeiro.

À frente da companhia está Ingo Voelcker, atual CEO, que carrega uma trajetória de quase quatro décadas dentro da organização e teve papel decisivo na criação e evolução da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário.

“Eu entrei na empresa em março de 1988. Hoje sou a pessoa mais antiga da Auxiliadora, com 38 anos de casa”, afirma Ingo, representante da terceira geração da família na gestão da empresa. Ele iniciou sua carreira na corretora de seguros da Auxiliadora Predial, passando por diversas áreas, incluindo aluguel e administração de imóveis. Em julho de 1994, assumiu a gestão de condomínios, então o principal negócio da empresa, em um período marcado por transformações profundas no país, como o Plano Real.

Fachada e interior da Auxiliadora Predial, em Porto Alegre, na década de 1930, onde tudo começou para as duas empresas mais longevas da ABMI

Foi também nos anos 1990 que Ingo se aproximou do grupo que daria origem à ABMI. Ele relembra o momento decisivo: “Um dia apareceu o Michel Galiano (Apolar Imóveis, de Curitiba-PR) na minha sala para me convidar para participar de um benchmark.”

A partir desse e de outros encontros, oito empresas se reuniram em Marília (SP) e fundaram a ABMI. Ingo destaca a importância desse movimento para o desenvolvimento da Auxiliadora Predial, especialmente na gestão de condomínios e, posteriormente, na área de locações.

A participação na ABMI também foi determinante para uma mudança estrutural na empresa: a entrada no mercado de vendas por meio de franquias. “Foi numa reunião da ABMI que se discutiu a entrada de franquias estrangeiras no Brasil.” Ingo viajou aos Estados Unidos para conhecer o modelo de redes franqueadas, onde cerca de 70% das vendas imobiliárias já operavam nesse formato.

A experiência reforçou a convicção de que o Brasil seguiria caminho semelhante. Hoje, a Auxiliadora Predial opera uma das maiores redes imobiliárias franqueadas do país, com aproximadamente 110 franquias, 12 lojas próprias e novas unidades em implantação. São cerca de 1.650 corretores ligados à rede.

No segmento de condomínios, a empresa administra 3.500 condomínios, que somam 250 mil unidades, mantendo a liderança histórica nesse mercado. Na área de locações, são 13 mil imóveis locados, enquanto o volume de vendas movimenta 2,8 bilhões de reais em VGV. A atuação se estende pelos estados de RS, SP, SC e PR, sustentada por um time de 3 mil profissionais.

Ingo também relembra a origem comum entre Auxiliadora Predial e APSA, que até 1983 eram uma única empresa. Após a cisão, cada uma seguiu seu caminho, mas mantiveram proximidade e troca de informações, especialmente no segmento de condomínios, onde ambas são referência nacional. “Em condomínios, a APSA é o nosso principal benchmark”, afirma.

Embora não haja uma grande celebração para os 95 anos da Auxiliadora Predial, Ingo afirma que a empresa já está focada em um marco ainda mais significativo: “Agora começa a contagem regressiva para os 100 anos.”

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